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domingo, 12 de junho de 2011

'Luzeiro Volante', exibido em Fortaleza - Vila das Artes

Ator paraibano muito próximo de certa cena do cinema cearense, Tavinho Tavares estreou ontem seu primeiro filme, o longa Luzeiro Volante, na Vila das Artes. O curioso é que  que o evento não tem nenhuma ligação com o Cine CE, que realizou, no mesmo dia e horário, sua primeira noite de mostra competitiva.
Nenhuma ligação oficial, na verdade, porque é difícil não ver o evento paralelo como, se não propriamente um protesto, uma alternativa para a bastante criticada curadoria do festival, que esse ano teve uma participação super escassa da nova cena do cinema cearense, seja lá qual nome ela seja chamada, tirando a sempre democrática mostra Olhar do Ceará, a qual escolhemos dar mais atenção nesse ano.

A crítica, entretanto, não pode ser tida como birra de um grupo, já que não é apenas a nova geração cearense que não está minimamente representada: difícil encontrar resquícios do que há de mais inventivo no cinema nacional como um todo na programação do Cine CE.

Nas mostras paralelas, porém, temos, como sempre, ótimas oportunidades de cinema, com destaque para a retrospectiva do Eduardo Coutinho. Estou curiosíssimo também com a mostra de cinema basco. Como é muita coisa, talvez só consiga ir a uma ou duas sessões, mas quando passar por lá deixo minhas impressões por aqui.
Mas voltemos ao filme. Ou comecemos a falar sobre ele,  na verdade.

Luzeiro Volante narra, ou melhor, acompanha as aventuras de um funcionário da usina de Itaipu que, um belo dia, resolve largar tudo e errar por nova Iguaçu, pela cidade, pelo mundo e por aí afora. Mas correto seria dizer que o filme erra, vai junto dessa errância.

E o mundo em Luzeiro é um grande nada, um grande vazio cujos encontros que proporciona são apenas tangentes, cicunstanciais mesmo na ligação mais forte que o personagem consegue construir, no caso a mochileira/andarilha interpretada pela filha de Tavinho, Mariah Tavares.
O início do filme, construído, pelo que lembro, quase todo em plano sequência, é muito forte. A opção da câmera na mão, igualmente, é essencial, não só para acompanhar o corpo, mas compor os espaços. Ela conduz o espectador pelo vazio dos bastidores da usina, reverberando a sensação de amplidão assustadora e instigante, seus vastos corredores cheios de luz e sombra reforçando a idéia de uma misteriosa caverna moderna.

A concredute das coisas se esvazia num quase sonho a medida que o usineiro explora essse espaço, interage com ele: brinca com o eco, parece procurar alguma coisa nessa imensidão e, de repente, dança. Mais sozinho do que alguém jamais dançou sozinho em casa. E canta também, dando vazão à sutil, mas evidente vontade de ir além daquilo tudo.

E ele parte. A sequência em que o funcionário passa direto pelo balcão, enquanto escutamos notícias sobre um problema ocorrido na usina, ‘causado por um funcionário que…’ é brilhante. Quando atravessa a porta, a tela fica branca, como que invadida pelo excesso de luz à qual um habitante da caverna moderna não estaria acostumado. Mas ao contrário do mito platônico, Tavinho não estremece e segue, reto e decidido, em busca de não sei o quê.

A sequência é a praia, o amanhecer. E depois, a estrada, onde o luzeiro – aquele que ilumina, ou fonte de luz, como li no dicionário há poucos instantes – filma insistentemente os fios de poste com uma handcam, numa espécie de versão contemporânea e elétrica do fio de Ariadne. Mas parece que o personagem não quer se encontrar, e sim se perder, ou ver até onde esses fios podem lhe levar.
Idéia, porém, que é abandonada no encontro com a personagem de Mariah e com um ou outro andarilho com os quais os dois personagens cruzam e depois parecem abandonar, como o próprio personagem de Tavinho chega a abandonar Mariah no final, para se entregar à força da cachoeira, o contrário e complemento da represa de Itaipú.

O filme talvez fosse mais forte sem a dispersão do miolo, visto que seu começo e final, o começo especialmente, tem força suficiente pra existir sozinho. Mas há planos intensos, uma pesquisa da baixa luminosidade talvez só possibilitado pela 5D -  e uma boa sacada que um filme chamado luzeiro se passe quase todo no escuro. Essa potência, porém, acaba sendo esvaziada por uma opção de dramaturgia que aposta com severidade no banal, sem conseguir deixá-lo de fato despretencioso. Explico: é possível apostar no tédio como potência de coisas, ou cerceá-lo e manipulá-lo para que de fato nada brote nesse vazio. Em Luzeiro há vários momentos plenos, mas também um pleno forçosamente esvaziado, quase um fetiche do cinema contemporâneo pelo tédio, no lugar de uma verdadeiro ‘vazio’, se ele for possível.

por Bruno Reis.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sessão Filmes à granel #4 e projeto de outubro

Cooperativa Filmes a Granel e Espaço Cine Digital Funesc apresentam:


Quarta sessão da 1ª temporada: Um cinema sob influência

Os participantes da cooperativa FILMES A GRANEL apresentam filmes que lhes influenciaram na realização dos próprios filmes da cooperativa.

25 de novembro, quinta-feira, às 19h30

O sabor da melancia (2005, comédia\drama\musical, TAIWAN, 114')

Sinopse: De volta de uma viagem à França, a jovem Shiang-Chyi chega a Taipé e descobre que o local onde marcou um encontro com o vendedor de relógios Hsiao-Kang está destruído. A cidade também sofre uma seca terrível, que a obriga a encher garrafas de água em banheiros públicos ou matar a sede com suco de melancia. Um dia, ela e Hsiao-Kang se encontram por acaso no parque e iniciam um romance. Mas o que ela não sabe é que o vendedor agora atua como ator pornô, em produções filmadas próximo à sua casa.

Após a exibição o realizador Tavinho Teixeira fala sobre o seu projeto a granel que já se encontra em fase de montagem e finalização.

Entrada Gratuita
Espaço Cine Digital Funesc

p.s.: O projeto sorteado no mês de outubro foi o documentário 'Walter Paparazzo', do realizador Otto Cabral. Em breve mais informações sobre o filme.